Mesmo com veto de Dilma, petistas continuarão a defender criação de novos municípios



Por Josenildo filho
O veto da presidente Dilma Rousseff à criação dos novos municípios não vai interferir na postura dos deputados que representam o Partido dos Trabalhadores (PT) na Assembleia Legislativa do Ceará. O parlamentar Camilo Santana (PT) afirmou que, apesar da rejeição da proposta, a orientação partidária é que todos continuem na defesa pela emancipação dos distritos.
Camilo Santana revelou que essa posição foi definida após uma reunião entre ele e o líder do PT na Câmara dos Deputados, José Guimarães. O parlamentar estadual garantiu que a decisão da presidente Dilma Rousseff será respeitada, mas explicou que a discussão do tema ainda será retomada pelos representantes do PT na busca da criação dessas novas cidades.
“Vamos respeitar essa decisão da presidente Dilma Rousseff, mas o PT vai continuar lutando pela emancipação dos distritos e retomar essa discussão posteriormente. Essa foi a decisão e orientação do líder na Câmara. A preocupação do Governo Federal é o impacto que a criação dessas cidades poderia trazer à situação fiscal do País. A gente respeita essa decisão técnica, mas vamos trabalhar para que, no momento certo, esses distritos sejam emancipados sem trazer prejuízos”, esclareceu Camilo Santana.
O deputado Dedé Teixeira (PT) também é outro petista que prometeu continuar a lutar pela criação dos novos municípios e informou que o assunto será um dos temas a serem discutidos pela bancada de seu partido na AL durante uma reunião prevista para a tarde de hoje.
“Sempre defendi a emancipação. Não é pelo veto que vou mudar de posição, até porque virei deputado após participar das lutas para a emancipação do meu distrito, o município de Icapuí. Devo muito a esse movimento. Vou fazer questão de colocar essa pauta na reunião da nossa bancada na AL para que a gente não desista de lutar por isso”, prometeu o parlamentar.
Dedé Teixeira atribuiu a decisão da presidente Dilma Rousseff à persistência de uma visão sulista que afeta, segundo ele, não só a Presidência da República como também seu partido. “Essa é um visão muito sulista. Até mesmo o nosso partido é afetado pela persistência dessa visão mais centralizada. Defendo o princípio da descentralização administrativa e a criação dos novos municípios é um componente fundamental para essas regiões trilharem o próprio desenvolvimento”, destacou o deputado.
O parlamentar Antônio Carlos (PT) também pretende continuar a levantar discussões que apontem para a necessidade da emancipação dos distritos. Ele garantiu que, apesar do veto exigir mais cuidado na abordagem do tema, não vai deixar de colocar sua opinião.
“É claro que terei alguns cuidados em relação a esse tema, porque é um veto da nossa presidenta, mas não vou deixar de colocar minha opinião. A ideia de que toda criação de município é improdutiva é uma visão muito generalista. Existem exceções importantes. Se essa emancipação não acontecer, alguns distritos vão, daqui a 20 anos, contar com uma população maior do que a existente nos municípios onde estão abrigados”, previu o deputado.
Antônio Carlos disse compreender as razões para o veto, mas defendeu que essa decisão sacrifica alguns distritos importantes. “O temor de que municípios sejam criados sem responsabilidade é compreensível, mas a decisão de sacrificar alguns distritos em nome desse argumento cauteloso foge do bom senso. Acho que é preciso ser feita uma revisão desse veto”, ressaltou.


Fonte : Diário do Nordeste
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